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FamíliaUma cadeira de rodas aos 10 anos de idade

Uma cadeira de rodas aos 10 anos de idade

Quando eu tinha 3 anos a minha mãe converteu-se. Cresci a ouvir e a viver aqueles princípios básicos do Evangelho, a ouvir falar de Deus sem o conhecer muito bem, mas a ser-me passada aquela mensagem de fé e esperança, de conquista e abundância. Aos domingos frequentávamos a “casinha do Jesus”, ir para a escolinha das crianças e ser educada nos valores que tanto nos caracterizam.

Aos 10 anos, ainda uma criança, foi-me diagnosticada uma doença rara e progressiva, que me tiraria capacidades físicas ao ponto de depender de uma cadeira de rodas. E isto foi o suficiente para me fazer questionar e duvidar de tudo o que até então vinha aprendendo.

Deus fala connosco da forma que Ele quer, usando os meios que Ele tem, mas, muitas vezes, da forma que nós menos gostaríamos! Estava longe de imaginar que este seria o meio através do qual me apegaria mais a Ele, perder tanto fez-me entender a fragilidade da vida e o quanto Ele era importante e fundamental para mim.

Mas foi difícil, muito difícil, compreender o porquê de passar por aquela situação. Como Deus permite tal coisa aos seus filhos? Não é Ele um Deus de amor? Parecia um enorme paradoxo na minha mente e na realidade que vivia. Então vieram tempos de guerra, de questionamento, de rejeição, de tristeza, de luto, de revolta… tempos distantes de Deus. Mas também tempos de reflexão. Não podia este ser o meu fim, não podia isto ser a situação que me iria impedir de alcançar os meus sonhos.

Após um tempo fiz tréguas com Deus, pedi perdão pelo meu egocentrismo e aprendi em tudo a dar graças e a não questionar “porquê?” mas “para quê?”. Nada acontece por acaso e nada, na nossa vida, foge ao propósito dele, essa é a minha convicção!

Agora olhando para trás sei que, para além de Deus nunca me ter abandonado, também colocou pessoas “âncoras” na minha vida para conseguir enfrentar a situação, não baixar os braços e seguir confiante. A minha mãe, a mais importante neste processo, que Deus abençoou com a sua sabedoria e amor. A minha irmã, que nasceu quando eu tinha 15 anos, o maior presente que Deus me deu, ainda que não tivesse sido planeada pelos meus pais foi, totalmente, planeada por Deus! E, mais recentemente o meu marido, o homem que Deus colocou no meu caminho para, também ele, fazer o propósito do Pai.

No entretanto, estudei, formei-me e encontrei no desporto uma nova ambição. Já com 12 anos no desporto paralímpico, na modalidade de Boccia, tenho rodado o mundo em competições, tento já vivenciado, por duas vezes, a maior competição do mundo: os Jogos Paralímpicos (Rio 2016 e Tóquio 2020). No desporto – como na vida – a conquista de objetivos e metas é o que nos impulsiona a sair da zona de conforto e ir à luta, e isso, é o que Ele nos manda fazer: “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares” (Josué 1:9).

Passados 23 anos desse diagnóstico, é verdade, continuo na cadeira de rodas, mas com a fé nele, sabendo que “escreve direito por linhas tortas” e que a última palavra é Ele que a dá!

Escrito por -

Carla Oliveira, 33 anos, atleta paralímpica de Boccia, sonhadora e lutadora. Crente nas promessas de Deus e expectante quanto ao que Ele ainda irá fazer na sua vida! Grata por tudo o que Deus fez, faz e fará! Congrega na igreja ICEC (Igreja de Cristo Evangélica Carismática).

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