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EducaçãoQuanto vale o meu valor?

Quanto vale o meu valor?

Os mais novos e a tecnologia

Numa época cheia de pressões, numa sociedade que promove a cultura das celebridades, torna-se cada vez mais difícil para cada um, e sobretudo para os adolescentes e jovens, sentirem-se confiantes e seguros de quem são, e do tipo de pessoa que poderão vir a ser.

A pouco e pouco as nossas crianças e jovens vão construindo uma visão sobre si mesmas que pode divergir em absolutamente tudo do que é a verdade.

Torna-se por isso extremamente importante refletirmos no que poderemos fazer para contribuir para o aumento da autoestima dos mais novos e para promover o sentimento de valorização.

O online trouxe novas possibilidades e infelizmente nalgum sentido veio facilitar a continuidade de comentários depreciativos: “Tu és feia”, “A tua roupa é horrível”, “Isso fica-te mal!”, etc. Estas são frases simples que demasiadas vezes oprimem o outro, pela quantidade de comparações e julgamentos de colegas, supostos amigos e por vezes até de estranhos.

Sou fã dos avanços da tecnologia, mas na verdade não precisávamos de novas invenções para saber que as palavras podem magoar muito as pessoas. Corremos o risco de garantir que toda uma geração possa vir a acreditar que não é boa o suficiente, popular o suficiente, inteligente, engraçado ou significativo o suficiente e através da internet, temos assegurado um alcance global destas crenças. Com a possibilidade de se estar ligado 24 horas por dia, 7 dias por semana, temos ao dispor um sistema de entrega perfeito para este tipo de mensagens e convicções que corroem a autoestima dos mais jovens e influenciam de modo direto a sua autoimagem.

Corremos o sério risco de ter uma geração que não tem certezas. Não apenas sobre quem deveria ser e o que poderia fazer e que até questiona se será de todo digna de receber amor e sentir-se amada. Uma geração sem a noção de que foi criada à imagem de Deus (Genesis 1:27), escolhida para ser d´Ele o que a tornaria filha querida por meio de Jesus (Efésios 1:4-6).

A autoestima é difícil de calcular, mas é vital que estejamos muito atentos ao seu valor. As crianças e jovens com baixa autoestima lutam para perceber qual o seu próprio valor e por vezes já nem acreditam que ainda têm algo de valioso para oferecer ao mundo ao seu redor. Ficam como que presas numa espécie de mentalidade de constante vitimização, temem a incerteza do seu futuro e lutam para confiar ou até para assumir riscos na relação com os outros, mantendo um profundo sentimento de medo de serem ridicularizadas ou rejeitadas pelo outro.

É nossa responsabilidade garantir que estas crianças, adolescentes e jovens podem ter acesso a pessoas e lugares que estimulem a descoberta do seu valor intrínseco e aumentem a sua autoestima.

Porque uma criança ou jovem com uma autoestima em desenvolvimento crescente começa a acreditar que tem mesmo valor e aprende a confiar que pode oferecer algo de volta ao mundo. Desenvolve a capacidade de dizer não e desenvolve a resiliência que lhes permite aprender com os seus próprios erros. Percebe que tem capacidades que pode melhorar, sonhos que pode nutrir e uma incrível capacidade de amar os outros e ser generoso, vivendo e apreciando uma vida única e preciosa.

Uma boa autoestima é também fortalecida pela noção de que somos amados por Deus e por pessoas que acreditam em nós e nas nossas competências. Romanos 12:3 acentua que o nosso conceito não deve ser demasiado elevado, mas equilibrado. Somos criação Sua, chamados para fazer boas obras (Efésios 2:10), e na Sua graça encontramos motivo suficiente para nos regozijarmos nas nossas fraquezas, pois quando somos fracos, é que somos fortes (II Coríntios 12:9-10).

Existe uma segurança tão profunda que vem de saber que somos criados com imenso valor e potencial por um Deus que nos conhece e está perto de nós. Somos geração escolhida, sacerdócio real, propriedade exclusiva do nosso Deus (I Pedro 2:9-10).

É nosso dever ajudar os mais jovens a ver como realmente são, este é um dos maiores chamados que qualquer um de nós pode e deve ter. Reconhecer o valor no outro, promover o outro, AMAR o outro.

Uma forma tão simples de valorizar e reforçar é através do elogio que deve ser utilizado de forma equilibrada para que não se torne banal e deixe de ter o efeito pretendido, correndo o risco de se tornar ineficaz. Um elogio feito a uma criança, adolescente ou jovem deve ser consequência de um determinado comportamento como uma atitude concreta ou a realização de uma tarefa específica, algo que seja merecedor e digno desse mesmo elogio e torna-se assim uma ferramenta educativa excecional e bastante poderosa.

O uso do elogio nos nossos relacionamentos mediante um esforço depreendido pelo outro que investiu num determinado comportamento, promove equilíbrio emocional, potencia a persistência na realização de tarefas e facilita os relacionamentos com os pares. Contribui também para o desenvolvimento de uma autoestima mais sólida e promove um sentimento de autoconfiança essencial nos relacionamentos com os outros. Todos estes aspetos acabam por confluir numa melhor capacidade de aprendizagem e disponibilidade para alcançar sucessos do ponto de vista cognitivo.

Temos de saber reconhecer e verbalizar o valor e as conquistas do outro, promovendo-o, ou seja, amando-o através dos nossos atos.

Além de recordarmos que fomos criados e amados por um Deus espantoso, e admirável, devemos lembrar que esse amor está presente desde o ventre da nossa mãe. Por exemplo em Gálatas 1:15, lemos que fomos separados desde cedo e chamados pela Sua graça, em Isaías 49:1 somos recordados que desde as “entranhas” o Senhor nos ama e menciona o nosso nome, a nossa singularidade e a valoriza.

Em Salmos 139 versículos 13 e 14 lemos acerca de termos sido “tecidos” como seres únicos, feitos de um modo especial e admirável.

Que ferramenta extraordinária temos ao nosso dispor: não só o recordar desde Amor incondicional, mas que nos podemos valorizar uns aos outros e assim construir relações coerentes e estáveis, que certamente serão tão agradáveis aos olhos do nosso Deus.

O outro também se constrói em espelho, com as imagens que vê refletidas no seu próximo. Possamos refletir amor, preocupação genuína e valorização visíveis no que dizemos, mas muito mais nas atitudes que temos na relação uns com os outros, sabendo que Ele estará sempre connosco por onde quer que andemos (Josué 1:9).

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Marisa Bossa é casada com o Nuno e tem 2 filhos: a Leonor de 15 e o João de 11 anos. Reside em Setúbal, Portugal. Pertence à Igreja Casa da Cidade em Lisboa. É Psicóloga clínica especialista em psicologia comunitária, e encontra-se a concluir pós graduação em Terapia Familiar e de Casal. É também Diretora Executiva da Associação TLG Crescer com Amigos em Portugal.

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