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Gravidez“Não matarás” – eu quebrei o sexto mandamento

“Não matarás” – eu quebrei o sexto mandamento

Quando falamos de aborto não podemos deixar de falar de desespero. Há um desespero que conduz alguém a tomar uma decisão dessas. Há um conjunto de circunstâncias que nos empurram a uma parede onde nos sentimos encurraladas. E não acredito que alguém tome essa decisão de forma leve. Mais consciente ou inconscientemente todas nós sabemos que aquele acto tem um impacto maior do que nós. Tem consequências.

Eu fiz um aborto. Eu cheguei a essa parede e tomei uma decisão egoísta que hoje posso afirmar que estava centrada em mim e no medo que tinha do futuro. Eu não tinha Deus na altura, não era crente, não sabia do seu cuidado constante e perfeito, e o desespero de um futuro incerto deixou-me desnorteada. O bebé surgia numa relação instável e sem futuro, e eu seria prejudicada laboralmente. De repente este novo cenário parecia ingerível, arruinaria “as minhas hipóteses”. Esta é claro a visão de quem não conhece a soberania de Deus. De que fosse qual fosse o futuro, Deus estaria a acompanhar cada passo e me daria a mão.

Ao tomar a decisão tudo o resto se tornou como que um filme que se desenrolou sem que eu reagisse. Entrei numa certa apatia da qual só consegui sair muito tempo depois. Tinha tido vários problemas antes e essa apatia era já conhecida.
Foi só quando me converti que me apercebi realmente da vida que destruíra. Do crime cometido, daquele que nunca cresceria. Anos mais tarde, grávida, fui assaltada por vários tormentos daquela criança que crescia e da outra que nunca iria conhecer. Da criança que educaria e da outra que nunca aprenderia. Da criança que seria amada e da outra que foi descartada. Aquela vida não era minha para eu a poder tirar e a verdade crua é que tinha tirado uma vida.

Esse foi o desespero que veio depois. Só Deus o pode carregar, só Jesus pode pagar o preço por um acto desses. Terei sempre as marcas e sofrerei as consequências da escolha que fiz há tantos anos, sabendo que só um Salvador que não mede os pecadores pela sua maldade, mas tem graça a esbanjar para todos os que aos seus pés se ajoelham, só aí poderia pedir perdão pela minha escolha. A derradeira escolha que tomei a pensar em mim e não na vida que crescia dentro de mim.

Mas a história não acaba aqui. Graças a Deus, há esse Jesus, Salvador, que vem e se senta com os pecadores, com os piores pecadores. Com os que tomaram más decisões, com os que cometeram crimes, com os desprezíveis aos olhos do mundo. Esse Jesus olha para o mundo incrédulo e diz “eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” Mateus 9:13. É esta a minha, a nossa esperança, é aqui que venho nos momentos de tristeza. É saber que Jesus veio até mim e me disse, arrepende-te. Eu arrependi-me do meu pecado, da minha escolha e recebi o seu perdão. O meu pecado não é mais a minha identidade. Jesus é a minha nova identidade, a esperança de um dia novo, de uma vida nova, perdoada. Jesus perdoa uma pecadora como eu. “Filho, tem bom ânimo; perdoados te são os teus pecados.” Mateus 9:2.

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