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Desejos tão reais quanto os nossos corpos

*Por Suelen Dias

Há dias, lia sobre não sermos anjos, mas pessoas de carne e osso e de que forma a ilusão que temos sobre dominarmos completamente o nosso próprio corpo e a nossa vontade pode ser um dos principais motivos para ignorarmos as nossas limitações e sinais de alerta no tocante à moralidade sexual.

Todas nós temos passados (e presentes) que nos confrontam diariamente com estas limitações. Para algumas de nós, a maioria talvez, a atração por pessoas do mesmo sexo é uma não questão. Por não nos conseguirmos colocar no papel de quem tem de, diariamente, lidar com isso, somos prontas a cair num dos dois extremos mais comuns: 1) assumir que é normal – que os nossos gostos não devem ser reprimidos e que a vida de cada um diz respeito a si mesmo; 2) estarmos prontas para declarar que isso é um pecado abominável aos olhos de Deus e quem vive nessa realidade deve arrepender-se e pedir perdão a Deus. Mas será esse um pecado especial? Não é o que a bíblia nos diz (1 Co 6.9-10).

Não me interpretem mal, queridas irmãs, com a bíblia aberta, acredito que a homossexualidade é uma prática pecaminosa (Gn 2:24; Lv 18:22; Rm 1. 26-27; 1 Co 6.9-10). Mas mantendo a bíblia aberta, não posso ignorar que somos chamadas a, com urgência, reconhecer em Deus poder para lidar com essas situações, e não devemos ver neste pecado matéria muito diferente daquela que existe nos pecados que todas praticamos e que diariamente temos de pedir perdão e auxílio a Deus (Rm 3.9; 3.23-26).

Se você lê este texto e luta com questões nesta área da sua vida e, quem sabe, já foi julgada e maltratada com o pretexto da fé em Cristo, pedimos-lhe que nos perdoe. A ignorância faz isso e quanto a este tema, muitas de nós permanecemos, há demasiado tempo, ignorantes. Eu, pessoal e especificamente, não imagino como deve ser difícil para você. Mas sei o que é ser tentada em outras áreas da minha vida e saber que algumas das minhas dificuldades irão acompanhar-me para sempre. Saber que Deus está sempre comigo ajuda. Também me ajuda saber que no meu caminho terei mulheres e homens sábios dispostos a aliviar a minha carga, lembrando-me que não estou sozinha e que ainda que de formas diferentes, todos lutamos com alguma coisa.

Mas… é impossível debatermo-nos com estas questões e servirmos a Deus? Nem pensar! Deus não nos prometeu que seriamos sempre felizes, esclarecidas e levaríamos vidas tranquilas aqui nesta terra. Antes pelo contrário, disse-nos que teríamos aflições (Jo 16.33) e muitas vezes elas vêm de dentro de nós – os nossos desejos, pensamentos e incertezas.

Quando dizemos que a homossexualidade é pecado, não se trata de sermos retrógrados e não acompanharmos a “evolução” da sociedade moderna, trata-se de à luz da Palavra reconhecermos que este não é o caminho de Deus para a humanidade. Deus fez o homem e fez a mulher, para se relacionarem sexualmente entre si, no casamento. E, como Deus, a sua palavra não muda (Tiago 1.17).

Poderíamos falar na complementaridade dos sexos ou dos corpos, por exemplo, mas acima de tudo, hoje, quero dizer-vos que somos chamadas a, primeiramente, amar o nosso próximo e não a julgá-lo.

Não se corrige um erro com outro. Portanto, nos momentos em que formos chamadas a dar a nossa posição (e não confunda estes momentos com intromissão em vida alheia), afirmemos com confiança aquilo em que acreditamos: onde quer que estejamos, Deus nos encontra. E lembremo-nos que Deus não tem filhos preferidos, quando Jesus morreu pelos nossos pecados, não morreu pelos pecados daqueles que pertencem a uma lista VIP ou daqueles que “apenas” praticam delitos leves. Todos pecamos e destituídos estamos da glória de Deus (Rm 3.23). TODOS necessitamos desesperadamente de um Salvador.

“Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo.” – Rm 10.9

“Não há diferença entre judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa ricamente todos os que o invocam, porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” – Rm 10.12-13

“Deus faz com que as pessoas sejam justificadas por meio da fé em Jesus Cristo. É assim para todos os que creem em Jesus Cristo, sem haver diferença de pessoas. Todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Mas pela sua bondade imerecida, Deus os justifica gratuitamente por meio de Jesus Cristo que os libertou do poder do pecado.” – Rm 3.22-24

Não nos enganemos, vivemos num mundo deturpado. Os nossos desejos são reais e muitas vezes nos afastam de Deus. Isto não começou hoje e não terminará aqui, mas cremos que Deus tem preparado um mundo perfeito e uma nova vida para o seu povo. Levemos este evangelho a outros e confiemos que o mesmo Espírito que converte os nossos corações tem poder para nos ajudar nas nossas dificuldades, sejam elas quais forem. E se em algum momento da nossa caminhada alguém nos partilhar as suas fragilidades e inseguranças, sejamos agradecidas pela confiança em nós depositada e procuremos corresponder com interesse sincero e escuta ativa.

Nas palavras do pastor Matt Chandler, “Se a igreja deve ser alguma coisa, ela deve ser um lugar seguro para aqueles que são sexualmente confusos e machucados. Se a igreja não for segura para isso, então não cremos em nossa própria mensagem.”*

Reconhecendo que os nossos corpos servem para louvar a Deus (1 Co 6.13), ore pedindo a Deus que a convença dos seus pecados e a conduza ao arrependimento.

“O Senhor Deus diz: “Venham cá, vamos discutir este assunto. Os seus pecados os deixaram manchados de vermelho, manchados de vermelho escuro; mas eu os lavarei, e vocês ficarão brancos como a neve, brancos como a lã.” – Is 1.18.

Alguns dados**:

  • Você JÁ SENTIU ou SENTE atração por uma pessoa do mesmo sexo?
    Sim: 17,6% | Não: 71,4% | Talvez: 10,2% | Prefiro não responder: 0,8%
  • Você acha que sentir atração por pessoas do mesmo sexo é uma doença?
    Sim: 4,5% | Não: 81,9% | Pode ser: 13,6%
  • Você acha que alguém pode sentir atração por pessoas do mesmo sexo e ser um cristão genuíno?
    Não saberia responder: 7,3% | Não, é impossível ser discípulo de Jesus e sentir atração por pessoas do mesmo sexo: 12,8% | Sim, desde que não se conforme à essa atração em pensamento ou ações: 74,7% | Sim, independente do que faz com essa atração: 5,2%
  • Você convive com pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo?
    Sim: 68,3% | Não, que eu saiba: 28,6% | Não, evito amizades ou contatos com pessoas que sintam atração pelo mesmo sexo: 3,1%

Para uma perspetiva mais ampla sobre o tema da moralidade sexual, recomendo a leitura do capítulo 7 do livro “Contra Cultura” de David Platt, publicado em português pela Editora Vida Nova.

Notas:
* Sermão pregado na igreja The Village Church em 2014. Disponível no Youtube, em Inglês: https://youtu.be/z179Ml3tPZs.
** Resultados consolidados da nossa pesquisa do Projeto Sexualidade.

Obs.: Texto escrito em português de Portugal. Esta plataforma não obedece ao Novo Acordo Ortográfico e respeitas as regionalidades da Língua Portuguesa de acordo com a origem de suas autoras.

Discípulas de Jesus de diferentes denominações da fé protestante com o propósito comum de viver para a glória de Deus.
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