E-book: Dialogando com o livro “E a Noiva Vestiu Branco”

O Grupo de Estudos Benditas apresenta mais um e-book de artigos sobre as leituras feitas em seu último ciclo de estudos. Ao longo de alguns meses, mulheres de diversas regiões do Brasil dedicaram-se à análise do livro E A Noiva Vestiu Branco, escrito pela norte-americana Dannah Gresh. A obra é destinada a mulheres jovens e adolescentes que desejam uma vida de pureza sexual.

Os artigos apresentados refletem as posições de cada autora, e isso fica evidente na pluralidade de opiniões a respeito do livro e na  profundidade das reflexões. Não temos a pretensão de abordar  extensivamente o tema da pureza sexual, mas queremos fazer parte  a solução para que ele seja discutido com mais responsabilidade cristã.

O tema demanda atenção. Vivemos em uma cultura extremamente erotizada e pornográfica e, de fato, essa realidade não é estranha à igreja. Entre julho e agosto de 2015, o grupo evangélico de pesquisas Barna Group entrevistou mais de duas mil pessoas em uma série de estudos sobre o uso de pornografia e vício sexual entre cristãos professos. De acordo com os resultados, 54% de jovens adultos cristãos entre a idade de 18 e 24 anos buscam por pornografia pelo menos ocasionalmente. Dois em cada três pastores de jovens e mais da metade de pastores seniores afirmaram que a pornografia é uma dificuldade atual ou passada.

Em busca de resgate dos valores cristãos da sexualidade, porém, muitos líderes e autores têm sido levados a outros extremos, causando estragos que podem ser tão penosos quanto a própria pornografia. Um caso exemplar é o do pastor norte-americano Joshua Harris, que em 1997, com então 21 anos e solteiro, publicou o livro Eu Disse Adeus ao Namoro. A obra vendeu mais de um milhão de cópias em todo mundo e ficou conhecida como uma das principais literaturas sobre pureza sexual entre jovens cristãos, e  ainda o é hoje, inclusive no Brasil.

Em 2018, porém, o autor veio a público com um documentário intitulado Eu Sobrevivi a Eu Disse Adeus ao Namoro, em que analisa o ensino de seu primeiro livro e o impacto negativo que a “cultura da pureza”, como ficou conhecido o subseqüente movimento provocado por obras como a de Harris, causou em diversos leitores e igrejas. Em diferentes momentos do filme, Joshua pede perdão e afirma que, mesmo não intencionalmente, as ideias defendidas por eles e outros causaram uma espécie de “teologia da prosperidade da pureza sexual”. Entre os entrevistados está a autora Dannah Gresh. Ela afirma, inclusive, que atualmente busca cautela ou até mesmo evita o uso de termos como “pureza” por conta da mentalidade legalista provocada por certos ensinos.

Exemplos como esses mostram como é necessário que os cristãos se dediquem a esse tema com mais cuidado para que não acabem por produzir o lado oposto de uma mesma moeda de promessas enganosas de satisfação sexual. Entre outros fatores, a “teologia da prosperidade da pureza sexual” leva homens e mulheres cristãos à ideia de que um determinado padrão de “pode” e “não pode” é garantia de um casamento e de uma vida sexual bem-sucedidos. Além disso, aqueles que “não escolheram esperar” são excluídos da matemática da pureza e encontram pouco ou nenhum espaço como “candidatos ao casamento”, ainda mais quando são mulheres. A pornografia, por outro lado, é apresentada como garantia de prazer imediato e sem compromissos, bastam alguns cliques.

Em um primeiro momento, os consumidores dessas duas mensagens parecem pertencer a públicos diferentes. Mas não são, e isso não é por acaso. Uma (dolorosamente) extensa série de artigos produzidos a partir de fevereiro de 2019 pelos jornais Houston Chronicle e San Antonio Express-News revelou que, desde 1998, mais de 380 pastores, líderes e voluntários da Convenção Batista do Sul norte-americana foram acusados de má conduta sexual por mais de 700 vítimas. As reportagens também revelaram que:

– Pelo menos 35 pastores, funcionários e voluntários que exibiram “comportamento predatório” ainda foram capazes de encontrar empregos em outras igrejas durante as duas últimas décadas. Em alguns casos, os líderes aparentemente falharam em alertar as  autoridades locais sobre as acusações ou avisar outras congregações sobre as alegações de má conduta.
– Diversos ex-presidentes e líderes proeminentes da Convenção estão entre os criticados pelas vítimas por esconder ou tratar mal as acusações de abuso dentro de suas próprias igrejas ou seminários. Alguns dos criminosos sexuais registrados voltaram ao púlpito e lá continuam.
– Muitas das vítimas eram adolescentes quando foram molestadas, receberam fotos ou mensagens explícitas, foram expostas à pornografia, fotografadas nuas ou repetidamente violentadas por pastores de jovens. Algumas das vítimas, a partir dos três anos, foram molestadas ou violentadas dentro dos escritórios pastorais ou em salas de aula da escola dominical. Algumas das vítimas eram adultas – mulheres e homens que buscaram aconselhamento pastoral e, ao invés disso, alegam terem sido seduzidas ou sexualmente abusadas.

As informações coletadas pela reportagem se restringem à Convenção Batista do Sul, mas o padrão comportamental também é encontrado fora dela. Anos antes, em 2015, o próprio Joshua Harris alegou em uma entrevista que “o isolamento da Covenant Life [igreja não denominacional que pastoreava desde 2004], e de um pequeno aglomerado de igrejas da qual fazia parte, podem ter alimentado os erros de liderança, inclusiva a decisão dos pastores – ele mesmo entre eles – de lidar com um caso de abuso sexual internamente ao invés de procurar a polícia”. Harris deixou a igreja e foi para um seminário no Canadá, para, então, buscar “educação formal e treinamento e mais exposição e conexão com outras partes do Cristianismo”.

É impossível não relacionar o ensino dessas igrejas com os seus problemas de má conduta e abuso sexual. É também extremamente irresponsável que a Igreja Brasileira não faça uma reflexão extensa e profunda em como tem apresentado esses temas em seus púlpitos, livros escritos e traduzidos, conferências, etc.

O presente e-book é, nesse sentido, um convite a essa conversa.
Faça seu download aqui.

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