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A cura para a podridão

A cura para a podridão

Dizemos com as nossas bocas e ouvimos do púlpito que a cura para o nosso pecado é a confissão ao Senhor que leva ao arrependimento e à mudança de vida. Isso é verdadeiro. E devemos fazê-lo. Mas há mais do que isso. O cristão bebe da fonte do perdão de Deus e isso o sacia durante a sua caminhada espiritual, mas ele precisa de uma fonte que suas águas sejam outro milagre, que não somente limpem mas que, como remédio, curem suas feridas carnais. Feridas que são resultado de uma jornada feita em um deserto extenso, árido, selvagem e com ventos fortes que cortam a pele e deixam machucados. Ele pode até beber da água da primeira fonte e isso alivia sua garganta e traz novo vigor, mas ele se sentirá podre e dolorido por carregar consigo hematomas em seu corpo. É preciso que ele se lembre que há um poço feito propriamente para a cura da podridão. Um poço feito pelo Deus amoroso que quer salvá-lo e redimi-lo de todos os seus pecados. Esse poço é o poço da confissão de pecados a um irmão ou irmã.

Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz. Tiago 5.16

Você sabe o porquê da necessidade de confessarmos os nossos pecados a alguém? Porque fazendo isso, estaremos jogando no lixo toda aquela nossa tentativa de sermos melhores que outros. Toda aquela vontade vaidosa de sermos elogiadas pessoalmente ou em conversas paralelas por causa da nossa piedade. De deixarmos um legado no Wikipedia ou uma futura biografia de nossas vidas e ministério como a de Elisabeth Elliot. Quando confessamos, temos um desprezo santo por toda a tentativa de contrairmos uma boa reputação diante de nossos irmãos e da comunidade que estamos inseridas e começamos a almejar uma verdadeira semelhança a Cristo. Quando confessamos um pecado para uma irmã ou irmão, estamos dizendo que somos pecadoras da maneira mais explícita. Eu não estou dizendo que você deva sair diante de todos os irmãos da sua igreja e dizer qual pecado você caiu ou está caindo. Mas escolha uma irmã ou irmão próximo e, juntamente a ele ou ela, direcione o holofote nas trevas que estão no palco da sua vida, ou nos bastidores. Sim, confesse aquele pecado mais encardido, o pecado que ninguém sequer imagina que você está cometendo.
Pecados mais conhecidos têm sido confessados pelo povo de Deus durante conversas, e têm se tornado hábito nas reuniões dos cristãos a confissão de um mal procedimento. Confissões sobre a falta de leitura diária da Bíblia e oração são corriqueiras e também necessárias. Mas e as confissões daquelas feridas ainda mais fedidas? Pecados que podem permear uma vida toda e fazer parte de um caráter, de uma história. Que somente citá-los traz grande perturbação. Muitos pecados não são sequer citados no meio do povo de Deus, mas em momentos de lutas e batalhas pessoais, eles devem ser colocados na mesa para que sejam vencidos de uma vez por todas por Cristo.
Há quem possa estar lutando contra o amor à cobiça, às compras de roupas incontroláveis e à falta de contentamento material. É necessário muita humildade para confessar isso a outro cristão ou cristã? Sim, mas todas nós somos pecadoras. Há quem possa estar produzindo palavrões e palavras perversas secretamente durante o seu dia através dos pensamentos. Ninguém irá saber? O Senhor sabe já deu o antídoto para esse mal. Confesse. Há quem possa ser escravo da preguiça e do desânimo de maneira descomunal. Quem o ajudará a levantar-se se ele não disser que precisa de uma mão amiga? Há quem possa estar se masturbando por muito tempo e tem guardado isso para si por causa medo de ser julgada. Ou pode estar assistindo a conteúdos pornográficos e não estar encontrando forças para combatê-los. A confissão ao Senhor e a uma irmã ou irmão é a cura. Isso pode acontecer na vida de mulheres solteiras e casadas. Não se envergonhe. Há quem possa estar com crise de abstinência do fumo de cigarro ou do uso de outras drogas do passado. Vícios em bebidas alcoólicas também podem vir à memória depois de um tempo de conversão. Então, o que fazer? Ir de início a pílulas, comprimidos, internações? A confissão ao irmão é a cura eterna.
Há quem possa estar tendo pensamentos suicidas ou adúlteros. A lascívia pode ser tentadora em algumas situações. A inveja pode ser amarga e o ciúme, vingativo. O entretenimento pode se tornar um ídolo. A lista é grande e o nosso coração pecaminoso é mais misterioso e sombrio do que mercado negro da Deep Web. As nossas amizades cristãs não só servem para conversarmos sobre roupas e estilos que temos em comum, compartilharmos memes engraçados ou sairmos para tomar um café durante a semana. Elas existem para que revelemos a podridão de nós mesmas, porque assim, Cristo será ainda mais puro e real para nós. As suas vestes se tornarão mais brancas e o seu sacrifício será mais louvado. O seu sangue será mais vermelho e seremos não somente saciadas pelo seu perdão como também curadas, por completo, pelo amor, conselho e oração dos nossos irmãos que também sofrem por caírem em seus pecados. O evangelho se tornará, na prática, ainda mais maravilhoso para nós. E nós diminuiremos cada vez mais. Acredite. Isso não será só da boca pra fora, mas como um verdadeiro milagre, curará todas as nossas feridas e nos levará ao nosso Salvador.

Escrito por -

Ana Júlia Castro de Moraes tem 21 anos, é natural de São Paulo e adora escrever. Frequenta a Igreja Batista Reformada de São Paulo.

1 Comentário

  • Laura Ribeiro

    Eu vivi isso e mudou minha vida. Eu tive contato com a pornografia muito cedo (história longa) e consequentemente a masturbação. Na adolescência contei para uma amiga (eu e ela já éramos convertidas), só por contar e passou. Um tempo depois uma amiga virtual me contou que ela sofria muito com o vício da masturbação e ai foi a primeira vez que realmente contei a alguém que também passava por isso (dessa vez eu já reconhecia que era "meu pecado de instimação" ) anos passaram e com o surto do covid com tudo parado tivemos mais tempo para conversamos mesmo que virtualmente e isso fortaleceu nossa amizade. Decidimos então lutar juntas contra nosso pecado. Confessar uma a outra quando caíssimos, ligarmos para orar quando desse vontade, estudamos um pouco sobre o assunto(a luz da bíblia) e hoje somos amigas de oração. Nossa amizade tem 8 anos, nunca nos vimos pessoalmente, mas há alguns meses oramos toda quarta-feira a noite por whatsapp. Tem um tempo que pornografia/masturbação não é mais meu pecado de estimação. Agradeço muito a Deus pela vida da minha amiga, pelo processo de libertação, pelo benditas que muito tem me edificado. Espero que todos possam ter uma amiga de oração que possa confessar seus pecados, minha vida mudou depois disso.

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