Pornografia não tem gênero

A pornografia é um assunto que a maioria das pessoas procura evitar. O desconforto e a vergonha que a conversa provoca são suficientes para aumentar ainda mais o silêncio ao redor desse pecado. E é exatamente na solidão que a pornografia se desenvolve, cria raízes. Muitas das pessoas que procuram evitar a conversa sobre a pornografia fazem parte de um outro grupo: as que consomem esse tipo de material. O silêncio e a solidão são os ingredientes fundamentais para um outro pecado, que também alimenta a pornografia: o da ignorância.

Se por um lado o consumidor de pornografia não conhece (ou prefere ignorar) os índices de violência que envolvem essa indústria, por outro lado, muitas das pessoas que não lutam contra esse pecado acham que esse é um “problema de nicho”. Primeiro, elas pensam que é uma dificuldade enfrentada apenas pelos homens. Segundo, elas imaginam que a pornografia só exista em imagens: revistas, sites, vídeos, etc.

O erro em identificar a pornografia como um “problema de nicho” é que falhamos em combatê-lo adequadamente. A pornografia não é um problema que afeta apenas homens, ela também é uma dificuldade entre as mulheres. Além de ser fonte de vício para cristão de ambos os gêneros, ela é fonte de violência para aqueles que a produzem: atores e atrizes.

Além do gênero sexual, a pornografia também não tem gênero midiático. Ela pode ser encontrada em foto, vídeo, revista, internet, redes sociais, produções milionárias ou amadoras, livros, blogs, fóruns, etc. Essa indústria aceita todo e qualquer cenário para suas produções. Todo tema é válido, basta ter imaginação.

A pornografia não discrimina, ela apenas devora o que vier pela frente. Trás lucros? Então serve.

Realmente, a pornografia não tem gênero.

É comum, entretanto, que uma das principais iscas usadas para atrair as mulheres aos conteúdos pornográficos começa pela escrita. Em seu artigo “A luta silenciosa de toda mulher“, a autora Marian Jacobs oferece um relato ouvido por ela:

Era um romance muito leve, mas as sementes da luxúria foram plantadas. Eu fantasiava sobre diferentes interações com o personagem principal dos livros. Nada sexual. No início, era tudo inocente. Mas, então, eu percebi que podia criar diferentes cenários em minha mente e fingir que eram reais. Isso levou a outras coisas, conforme fui crescendo. Uma vez que você assiste pornografia pesada, você precisa de algo cada vez mais e mais perverso. E a perversão só piora. Eu precisava de algo sempre mais sujo e sórdido para me fazem sentir o que precisava sentir.

A literatura erótica não é nenhuma novidade, mas ganhou uma certa popularidade aqui em 2012 com o livro “Cinquenta Tons de Cinza”. Na época do seu lançamento, era possível ver o livro por semanas na estante dos mais vendidos, e em uma livraria de grande porte chegaram até a fazer uma árvore de natal com eles. Os livros eróticos são vistos como algo mais refinado. Sério. Há toda uma história que seduz o leitor, um cenário com personagens que expressam seus sentimentos além do sexo, mas que tem como finalidade o sexo. A mente é o lugar onde podemos praticar todos os pecados sem sermos julgados pelos outros. Fomentar pensamentos impuros sem punições imediatas.

Se essa for a sua situação, os livros que você lê tem inflamado a sua sensualidade? Tem alimentando a sua luxúria e pensamentos impuros? Talvez você pense que isso não vai te dominar, que você tem o controle, afinal são apenas livros, não são tão vulgares quanto os vídeos. Mas como é possível ver pelo relato acima, a nossa mente, assim como o fogo, nunca está satisfeita. Os livros servem por um tempo, mas daqui a pouco sua imaginação precisará de mais para se satisfazer.

E, como lemos, a pornografia não discrimina, ela apenas devora o que vier pela frente. Trás prazer? Então serve.

Aliança com os nossos olhos

Não deveria nos espantar que as filhas de Eva também andem pelo subsolo da luxúria, já que a Bíblia é bem clara quando fala que é do nosso coração que procede a prostituição (Mc 7.21).  Está dentro de nós. Não é algo só dos homens, mas faz parte da raça humana.  Um pecado que deseja ser alimentado, seja por um filme, um livro, um olhar sensual, um episódio aparentemente inocente de sua série preferida ou quando você fica sozinha com o seu namorado.  A luxúria pode ser muito silenciosa. Discreta. Você acredita que não causará dano nenhum para a sua alma assistir aquele filme que não é declaradamente pornográfico, mas têm cenas sensuais, ou o próprio ato sexual.  O que te garante que essa cena não ficará na sua mente? Os nossos pensamentos não são ocultos diante de Deus. Não foi à toa que Jó fez uma aliança com os seus olhos (Jó 31.1). Não se engane achando que você é forte, que todas essas coisas são bobagens só porque você não sente nenhum efeito na hora. Você está alimentando um repertório impuro. “Sendo assim, faça morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão.” ( Cl 3.5). Deixe o seu pecado passar fome. Confesse ele para alguma irmã sábia que você confia, o pecado vai perdendo a sua força  quando é exposto, pois a luz dissipa as trevas.

Esse é um assunto que nos causa muita vergonha, por isso é pouco falado. Se a sua consciência lhe acusa que você tem pecado nisso, tenha sempre em mente que Cristo tem o poder para te purificar e limpar pecadoras como você e eu. O Alfa e o Ômega faz novas todas as coisas. Como aconselha John Owen:

“Considere que caminhos, companhias, oportunidades, estudos, negócios, condições, deram a qualquer momento, ou usualmente dão, vantagens para as suas fraquezas. As pessoas farão isso em relação às suas doenças e fraquezas físicas. As estações, a dieta, o ar que comprovadamente é ofensivo deve ser evitado. As coisas da alma são menos importantes? Saiba que aquele que ousa flertar com ocasiões pecaminosas também ousará pecar. Aquele que se aventura em tentações, também se aventurará no pecado. “