Na estrada da humilhação

Os seres humanos são naturalmente orgulhosos e cheios de autoconfiança. Infelizmente, nenhum de nós está livre desses pecados, nem mesmo aqueles que um dia foram salvos por Cristo. A boa notícia é que Deus não costuma nos deixar sem disciplina, mas – utilizando meios que, muitas vezes, estão além da nossa compreensão – nos humilha para nos lembrar que somos pó.

Na Bíblia, encontramos bons exemplos dessa ação corretiva de Deus: tanto em seus filhos, quanto em ímpios. No livro de Daniel, capítulo 4, vemos o exemplo de Nabucodonosor, o rei ímpio que governava orgulhosamente até que tudo o que tinha lhe foi tirado – glória, poder, autoridade, e até mesmo sua saúde mental – para que reconhecesse a soberania do único Deus verdadeiro.

Foi por meio de um sonho (interpretado mais tarde por Daniel), Deus avisou ao rei que certas coisas aconteceriam se ele não se arrependesse e começasse a praticar a justiça. Mas, ignorando completamente à advertência, logo a humilhação chegou à sua porta. Nabucodonosor, que até então se gabava de sua majestade, passou a viver como um animal selvagem bem longe da extensão do seu reino.

Outro relato bíblico é a história de Jó, um homem justo e temente ao Senhor que também perdeu tudo o que possuía, não porque tinha os olhos altivos como o do rei, mas porque estava sendo provado por Deus. Embora Jó não tivesse “feito nada” para merecer todas aquelas dores, o propósito do Senhor nesse processo era, de certa forma, semelhante ao da história de Nabucodonosor: compeli-lo a reconhecer o absoluto governo e sabedoria divinos.

Na estrada da humilhação, ambos experimentaram suas próprias incapacidades, foram levados ao pó, de onde vieram, e, completamente arruinados, se tornaram mais sensíveis à sua própria insignificância. Quão difíceis devem ter sido aqueles dias para eles, especialmente para Jó que, consciente da sua desgraça, buscava consolo entre “amigos” que mal conseguiam interpretar corretamente as Escrituras.

O fim das narrativas nós já conhecemos; Jó se arrependeu no pó e na cinza, desprezou a si mesmo e considerou os caminhos de Deus como sendo justos e bons. Reafirmou a bondade, fidelidade e total governo daquele que não pode ter nenhum de seus planos frustrado. De semelhante modo, Nabucodonosor reconheceu a soberana vontade de Deus e admitiu que Seus caminhos são perfeitos. O Senhor restituiu a ambos, dando-lhes ainda mais do que possuíam anteriormente.

A lição que tiramos no paralelo entre as duas histórias é que Deus precisa sempre ensinar (e lembrar) ao ser humano – quer seja ímpio, quer seja filho – sobre sua própria pequenez e insignificância.

Como o pecado consegue nos impedir de ver algo tão óbvio! Afinal, que motivo temos para nos orgulhar? Tudo que somos e possuímos é fornecido por Deus! Somos como mendigos que, nada tendo, tomam emprestado todas as coisas do Autor da Vida – e ainda temos coragem de nos gabamos por isso! Como C.H. Spurgeon disse certa vez:

Quanto mais você tem, mais está em débito com Deus. E você não deveria se orgulhar daquilo que te faz um devedor.

Que estranha presunção a nossa de achar que temos alguma coisa, uma justiça própria ou qualquer outra que seja que julgamos vir de nós mesmas. J.C. Ryle diz que dentre todas as criaturas do mundo, nenhuma é mais dependente do que os filhos de Adão e Eva. Nosso corpo nos lembra disso todos os dias em suas limitações: o cansaço depois de um dia intenso de trabalho também serve para nos lembrar quão humildes devemos ser diante daquele que nunca se cansa. Nossas limitações intelectuais e dificuldade em compreender os desígnios de Deus também nos revelam nossa insignificância.

Nós somos de ontem e nada sabemos.
Jó 8.9

Busquemos a humildade, pois quanto mais humildes formos, mais parecidas com Cristo seremos. Deus ordena a todos que se submetam ao seu governo e lhe deem a glória que é devida.

Talvez Ele não use meios tão drásticos quanto os que usou com Jó e Nabucodonosor para nos ensinar essas coisas. Mas, se isso acontecer, que possamos nos lembrar que a humilhação também é, em última análise, uma expressão da misericórdia de Deus que nos impede de sermos tão maus quanto poderíamos ser, freando nossos impulsos orgulhosos e nossa arrogância sem limites.

Pensemos, por exemplo, em Israel que, comparada à uma mulher adúltera a quem Deus já havia prometido dar a carta de divórcio, é levada para o deserto a fim de ser humilhada pelo Senhor para, depois disso, ser reconquistada por Ele.

Que maravilhoso é servir um Deus que nos revela sua bondade, amor, poder e glória mesmo enquanto utiliza sua vara para nos disciplinar.

Assim, Ele nos torna mais sensíveis para reconhecer quem realmente somos: pobres, cegos e nus que nada possuem, mas que devem até mesmo as batidas de seus corações ao Deus Criador.

Avalie agora o seu coração. Você está andando em humildade ou em soberba? Reconhece as suas fraquezas e limitações ou, semelhantes aqueles que foram confundidos na Torre de Babel, está cheia de vaidade e justiça própria? Se o segundo cenário se assemelha mais com o estado do seu coração, arrependa-se e tenha como modelo de humildade o próprio Cristo (Fp 2:6-8).

Ele não só é nossa referência em humildade como também é a única fonte “em quem” obtemos todas as coisas. Nosso direito de ir para o céu, reside em Cristo. O perdão dos pecados, no Seu sangue. A santificação, perseverança e esperança, também estão nele!

Que possamos aprender dele, que é manso e humilde, e não deixar que o orgulho de qualquer natureza – seja intelectual, espiritual ou de bens – tome conta do nosso coração. Rendemos glória somente ao Senhor, o único Deus eterno que reina para sempre, Amém!

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