Carta de uma esposa cujo marido luta contra a luxúria

E então eu me tornei uma delas; uma daquelas esposas cujo marido foi buscar na internet outro corpo para o entreter; uma daquelas que ao ouvir a confissão sentiu seu coração quebrar e sua alma pesar. Agora, ando por aí com um peso que não escolhi carregar, uma dor que não escolhi sentir. A luxúria é uma guerra que quando os homens perdem, as mulheres é que sangram.

Há alguns caminhos que sinto poder seguir enquanto me encontro nessa situação. As feministas me diriam que eu devo odiar meu marido, porque ele é um machista que usa mulheres para seu próprio prazer. Alguns me diriam que eu preciso aceitar, porque homem é assim mesmo: “Pelo menos ele não está te traindo”. Alguns cristão me diriam até para perdoar completamente, de uma vez, e seguir em frente. Mas a realidade é que nenhuma dessas alternativas me parece suficiente ou realista enquanto vivo essa situação. Talvez para alguém de fora seja, mas pra mim não é.

Eu me lembro de estar em uma reunião com minhas amigas, também casadas, em que elas choravam e me contavam sobre a luta de seus próprios maridos contra a luxúria. Com lágrimas nos olhos elas relatavam as confissões feitas por seus parceiros. Dos códigos de bloqueio que precisaram colocar em suas TVs, computadores e celulares. Da dor que elas sentiam. E da palavra traição que, ainda que não tivesse sido consumada, parecia pairar sobre suas cabeças. Na época, eu sofria por elas, mas soltava um clássico “perdoa, amiga”. Hoje, porém, me sinto hipócrita, porque, agora que vivo a situação, essas palavras parecem insuficientes e incompletas.

Então, eu fiz pesquisas, busquei números. E o que encontrei foi assustador: mais de 15% dos homens cristãos acima de 60 anos confessaram assistir pornografia de forma contínua.Mais de 20% dos que têm 50 anos, 25% dos que têm 40, e 30% dos que têm 30 anos. Se esses números ainda não te chocaram, espere pelo próximo: 50%, METADE dos homens cristãos entre 18-29 anos assumiram consumir pornografia de forma contínua.1

Não são homens quaisquer. São homens cristãos, que amam a Cristo, mas vivem no pecado. Você pode dizer “ah, não são crentes realmente”. Não sejamos hipócritas. Todos nós caímos em alguma área e essa é a área de muitos cristãos.

Sabe, por um tempo eu culpei Deus. Se esses números são reais, e são, então só podia ser culpa dele por ter criado os homens assim. Eu lutei com essa amargura contra meu Senhor. Entender o que fazer tem sido um processo. A verdade é que eu sei, posso atestar o amor que meu marido sente por mim. Eu não me casei com um cretino. Meu marido caiu uma vez, atraído pelos pecados da juventude, pecados não tratados, não confessos. Mas se arrependeu profundamente. Foi ao Senhor, foi a líderes espirituais, confessou a eles, confessou a mim, pediu perdão, buscou soluções práticas para evitar a tentação. Meu marido me ama e ama a seu Senhor. E eu sei que perdão e restauração precisam acontecer. Mas como é difícil… Talvez seja por isso que Jesus nos ordenou, vez após vez, que amássemos os que nos machucam e maltratam. Ele sabia a dor da traição, do desprezo. Ele sabe exatamente o que eu sinto agora. E Ele ainda ordena: perdoa. Essa é a lógica radical de Jesus.

E é claro que Jesus não me manda ser capacho. Esse pecado da luxúria é seríssimo. A Bíblia o condena várias vezes. Os homens que caem nisso precisam parar de agir como se fosse normal, como se fosse “parte de ser homem”, e precisam virar homens de verdade, abandonando essas atitudes de meninos. Atitudes cruéis e covardes.

Mas eu não sou responsável pelas ações dele, só pelas minhas. Sou responsável por buscar em Cristo a verdade. A verdade de que o problema não sou eu, ou meu corpo, ou minha beleza. A verdade de que em Cristo eu sou completamente amada, perfeita e suficiente. A verdade que meu marido me ama. A verdade que meu marido precisa confessar seu pecado e matá-lo, diariamente, por amor não só a mim, mas ao Senhor que ele diz servir. A verdade que o pecado é profundo e real, e que as suas consequências só são solucionadas com graça e perdão. A verdade que o inimigo se alegra em ver lares destruídos pela pornografia. A verdade que em Cristo existe esperança para meu casamento e todos os outros que estão sendo minados pelos pecados sexuais. A verdade que isso não é um padrão para toda vida, mas que conforme meu marido busca o Senhor e a ajuda de líderes ele vai crescer em santidade e vencer essa luta.

Essas verdades me dão esperança e forças para saber que aquilo que o pecado corrompeu e destruiu o sangue de Cristo redime e cura.

Eu conheço uma senhora da minha igreja cujo marido seguiu o caminho da escuridão, do pecado não confesso, até que isso o levou ao adultério consumado. Esse pecado horrendo foi tratado na igreja, eles buscaram ajuda, e ela teve a escolha de abandoná-lo, se quisesse. Mas ela decidiu ficar. Decidiu continuar. Hoje eles são um testemunho de restauração. O mundo vai dizer que ela é estúpida, submissa, cega. Que uma vez traidor, sempre traidor. Mas ou nós cremos na Bíblia ou não cremos. E se cremos, precisamos crer na graça radical que transformou prostitutas, criminosos, líderes religiosos hipócritas, guerrilheiros… Essa mesma graça transforma constantemente os homens que não querem mais viver em seus antigos pecados. E essa mesma graça traz correção e recomeço àqueles que ainda caíram, mesmo depois do encontro com a graça.

Esposas, talvez seu marido e você nunca tiveram essa conversa. Talvez você nunca tenha pensado nisso, que fosse possível, ou talvez tenha medo de perguntar e ouvir uma resposta que te machuque. Mas o diálogo precisa existir. Se esse pecado existe em seu casamento (seja do lado dele ou do seu, porque mulheres também são suscetíveis, a mesma pesquisa mostrou isso!), ele precisa ser confessado. Somente pecado trazido à luz pode morrer.

Existe esperança para maridos que lutam com luxúria, e essa esperança se chama Cristo – aquele que morreu para que esses homens não mais vivessem na escuridão de sua sujeira, mas na luz da Verdade que liberta.

Sobre a autora:
Para preservar sua privacidade e de sua família, a autora colaborou de forma anônima.

  1. Pesquisa realizada com oito mil leitores do site Desiring God em 2015: link

Um comentário sobre “Carta de uma esposa cujo marido luta contra a luxúria

  1. Louvo a Deus que há mulheres preocupadas com o Ministério Casamento e Familiar, preocupadas em manter suas orações, sabendo que o único que pode é Deus para ajuda-la a não “criticar, julgar, questionar, brigar, murmurar” algo tão difícil de lidar que é o pecado da luxúria. Que outras possam ser alcançadas por meio dessa nobre leitura. Graça e paz.

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