Os 20 centímetros mais decisivos da história

Em inúmeras passagens, as Escrituras nos revelam como o conhecimento de Deus liberta o seu povo. Uma das mais lembradas está em João 8.32, “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. No tempo em que vivemos, pode-se dizer que não há um único debate que não seja feito sobre as palavras, conceitos e diferentes aspectos dessa afirmação. O questionamento iniciado pela serpente no Jardim do Éden reverbera nos ouvidos da humanidade, “Foi isto mesmo que Deus disse?”.

Ao longo dos séculos, indivíduos buscam entendimento que os ajude a responder as questões fundamentais da existência, como sua origem, seu significado, a verdade e o tempo. Nessa busca, como bem disse o Sábio de Eclesiastes, “não há limite para a produção de livros”. Queremos entender, solucionar as perguntas, encontrar a libertação que a falta de respostas implica. É certo que algumas pessoas são mais importunadas pelos questionamentos do que outras, mas também é certo que, em determinada altura de sua vida, todo indivíduo refletirá sobre pelo menos alguma dessas questões.

O trampolim para muitas das discussões coletivas e questionamentos individuais é a percepção generalizada de que há algo errado com o mundo. Mesmo sem ter um paralelo concreto que possa usar para comparação, o ser humano não consegue escapar da realização de que algo o faz sofrer e o leva a provocar o sofrimento. A partir dessas questões, surgem diversas tentativas de explicação e muitas outras perguntas. Entretanto, a inquietação geral não para nesse aspecto de definições, ela invariavelmente se direciona para as tentativas de solução do que quer que esteja errado. Até mesmo as definições em si já seriam esta tentativa, porque há algo de insuportável e impossível com a ideia de um mal (ou mau) que não possa ser concertado, como bem disse Voddie Baucham. De fato, lemos em Romanos que não é necessário ter a capacidade de raciocínio lógico para a expectativa dessa solução, pois não apenas seres humanos, mas toda a “natureza criada geme como em dores de parto” na espera pela libertação do “cativeiro da corrupção”.

As perguntas ficam no ar, quase como entidades independentes. Para alguns, a libertação estaria em chegar até elas, na forma correta de formula-las, no caminho que os levou até elas. Para outros, a libertação estaria em evitá-las, negar suas existências, ou espremer cada palavra, isolar cada termo em novas e intermináveis perguntas. Colocar cada aspecto imaginável em frente à uma infinidade de outros questionamentos que, como espelhos, provocam reflexos até onde o olho humano da mente consegue enxergar. Realmente, não há limite para a produção de livros.

Porém, como uma pedra no meio de muitos caminhos, uma pedra de edificação ou uma pedra de tropeço, há um espaço de 20 centímetros que ser humano nenhum consegue percorrer nessa busca, por mais que se esforce, por mais consciência ou discernimento que possa ter. Vinte centímetros que assombram a humanidade, que perseguem todo ser humano que já viveu, de qualquer época, lugar, civilização, povo e língua. Vinte centímetros entre aquilo que é comunhão eterna com o Criador ou tormento eterno à parte de sua justificação, à parte de sua libertação do cativeiro da corrupção.

São 20 centímetros que não consigo enfeitar com os poderes hiperexplorados da linguagem. Que, por mais que me esforce, não consigo nem se quer organizar mentalmente. São os 20 centímetros que, “Na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu por meio da sabedoria humana”. São os 20 centímetros da porta estreita, em que tudo o que é possível, tudo o que resta à existência é render-se. Tente alcançar esses 20 centímetros e serás envergonhado ou levado à loucura.

Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador dessa era?

O paradoxo é que, conforme já afirmado, é o Conhecimento que liberta. Os 20 centímetros não são o alcance ou a ausência da sabedoria humana, mas a loucura de Deus. Um Deus que se revela em uma coleção de livros, veja só. Um Deus que é Logos encarnado.

São os 20 centímetros sobrenaturais e (nem tão) figurativos entre a mente e o coração.

Para percorrê-los, apenas a força criadora que trouxe à existência todas as coisas pelo poder da palavra (!) é suficiente. É a fé no Cristo crucificado, a pedra sobre a qual você é firmado ou sob a qual você é esmagado. O mistério que estava oculto, que nenhum dos poderosos desta era entendeu, “pois se o tivessem entendido, não teriam crucificado o Senhor da glória”, mas “Deus o revelou a nós por meio do Espírito”. Os 20 centímetros entre a mente humana, o coração de pedra, e a fé em Jesus Cristo como único Caminho, como a Verdade e como a Vida para um coração de carne. Essa é, afinal, a razão da esperança encontrada em cada cristão. Àqueles à parte dos 20 centímetros, tais afirmações são loucura e por isso não conseguem entender a razão da esperança que separa o crente da miséria que é ter Jesus Cristo apenas para as coisas desta vida, seja como um modelo de ética ou como razão de deboche.

A reação final, entretanto, será invariavelmente a mesma. Adão, Sócrates, Paulo de Tarso, Nietzsche, e todos os que já viveram, seja por mais de 100 anos ou por alguns segundos, todos se prostrarão diante desta Verdade. Que seja em adoração, em admiração, que nossos joelhos não sejam quebrados pela ira vindoura reservada para aqueles que “estão sempre aprendendo e nunca conseguem chegar ao conhecimento da verdade”, mas que desde já possamos explodir em louvor, como Paulo:

Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos!
“Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? ”
“Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? ”
Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.

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