O engano dos aplausos no serviço a Deus

A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua.
João 3.29-30

Essas belas palavras foram proclamadas por ninguém menos que João Batista – aquele sobre quem o profeta Malaquias anunciou ser o percursor do Messias (Ml 3.1). No contexto em que foram ditas, o ministério de Jesus havia acabado de se iniciar. Os muitos atos milagrosos realizados por Cristo mudaram completamente o foco da atenção que antes estava voltada para João Batista. Incomodados com a recente fama de Jesus, os discípulos do profeta o questionaram sobre isso. Entretanto, assim como todos os maiores servos conhecidos por Deus, João apresentou uma atitude extremamente humilde diante do Senhor e dos homens, pois ele sabia que era exatamente isso que deveria acontecer: Cristo crescer e ele diminuir.

O ministério de João Batista

João Batista havia recebido um chamado especial da parte de Deus bem antes de nascer. Enquanto seu pai Zacarias estava no templo e exercia a função de sacerdote, o anjo Gabriel lhe anunciou que sua esposa Isabel, que era estéril, ficaria grávida e que o menino prestes a vir seria cheio do Espírito Santo e usado por Deus para converter muitos corações.

Ele cresceu e a mão do Senhor estava com ele. Se tornou um homem meio esquisito aos nossos olhos. Vivia no deserto, vestia roupas de pelo de camelo e comia mel e gafanhotos. Passou boa parte de sua vida a cumprir zelosamente seu chamado de chamar pessoas ao arrependimento. Sem a menor cerimônia, apontava os pecados de qualquer um que fosse – desde os homens comuns até os da mais alta sociedade – e dizia-lhes como proceder corretamente.

Da fato, João influenciou muita gente. Se tornou conhecido em toda a região em que pregava e foi tão admirado que algumas pessoas até o confundiram com o Messias prometido. Categoricamente, ele sempre negou ser o Cristo e, preparando o seu caminho, anunciava ao mundo que o Cordeiro de Deus chegaria em breve.

Seu ministério foi tão significativo que o próprio Cristo deu testemunho dele e disse que entre os nascidos de mulher ninguém é maior que João Batista (Mt 11:11). Mas mesmo que Jesus, o Filho de Deus, o exaltasse a tão grande posição, ele não se considerou coisa alguma. Pelo contrário, revestiu-se de total modéstia e humilhação.

 E esta era a sua mensagem: “Depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias”.
Marcos 1.7

Podemos perceber nessa linda declaração que João não se satisfazia pela fama. Cheio de humildade, não considerou motivo de amargura o fato de se tornar cada vez menos importante.

Recuse a honra

João não permitiu nem por um instante que lhe fosse atribuído qualquer louvor que pertencesse apenas ao seu divino Mestre. Antes, ele obedientemente apresentou ao mundo o Cordeiro de Deus e alegrou-se ao perceber que seu nome estava sendo esquecido enquanto o de Cristo, exaltado.

E essa mensagem é pra nós que, de alguma maneira, servimos ao Corpo de Cristo. Independente da nossa função, devemos sempre nos lembrar que Deus não divide sua glória com ninguém (Is 42.8). Assim como João Batista, todas nós devemos, sim, nos esforçar para servir fielmente ao Senhor, dispostas até mesmo a morrer por Ele. Todavia, nunca devemos ter um pensamento muito elevado sobre nós mesmas. Não devemos procurar de homens qualquer tipo de reconhecimento nem nos sentir especiais demais por obedecermos a Cristo. Se servimos a Deus, o fazemos como servas inúteis (Lc 17.10). Como João Batista, não podemos permitir que qualquer sentimento de orgulho ou vaidade brote no nosso coração ao exercermos as tarefas que Ele nos confiou.

Será que estamos mesmo dispostas a abrir mão dos aplausos e de tudo que o mundo considera grandeza para abraçar o serviço árduo de tornar o nome de Cristo conhecido, sem qualquer direito à honraria? Será que estamos dispostas a tirar de nós mesmas os holofotes e apontar para Cristo, suplicando a todos a quem servimos a darem louvor somente a Deus? Afinal, que motivo temos de nos vangloriar sendo que devemos tudo a Cristo? Se fazemos o bem e almas são alcançadas através do nosso serviço, que mérito temos?

João respondeu, e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu.
João 3.27

Certamente João Batista não recebeu qualquer galardão nessa terra. Teve uma vida longe de ser confortável, dedicou-se inteiramente em cumprir o seu chamado e morreu cedo, decapitado por Herodes. Porém, podemos ter certeza de que grande foi o seu prêmio nos céus, pois humildemente negou a si mesmo afim de que Cristo fosse glorificado.

E que assim também seja a nossa atitude. Que a serviço do nosso Noivo também possamos ter a nossa alegria completa enquanto Ele cresce, e nos diminuímos.

2 comentários sobre “O engano dos aplausos no serviço a Deus

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