Shemá: 3 lições do passado sobre as Escrituras

Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.
Deuteronômio 6.4-9

O livro de Deuteronômio foi escrito provavelmente por Moisés, mais ou menos no décimo primeiro século antes de Cristo. Temos, então, um livro com mais de três mil anos de idade! Bastante antigo, não é? Mas, por ser um livro da Bíblia, ele jamais fica velho. Existe uma grande diferença entre o antigo e o antiquado. A Bíblia é antiga, mas não é antiquada! É preciso, então, retornar aos tempos do povo de Israel narrados no Antigo Testamento para aprender três importantes lições do passado.

I – Deus é o único Deus, só ele merece a nossa adoração (v.4-5)

A primeira parte do versículo 4 (“Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor”) é conhecida até hoje pelos judeus como o Shemá, porque esta é a primeira palavra do versículo, dita em hebraico. Faz parte da tradição judaica repetir o shemá (ou seja, todo o texto citado no início) junto com Deuteronômio 11.13-21 e Números 15.37-41 como uma oração diária. Deus deu este texto ao povo de Israel para que eles sempre se lembrassem que não há nenhum outro deus além dele. Ele é o único Deus e Senhor, e só Ele deve ser adorado.

O problema é que, segundo Romanos 1.20-21, o coração humano tomado pelo pecado tende a se afastar de Deus, levando o homem a adorar falsos deuses. Como um grande cristão do passado afirmou, “a mente humana é uma fábrica de ídolos”. Que ídolos são esses? Para muitos, o dinheiro torna-se um ídolo, para outros a TV, o sexo, o trabalho e outros tantos itens que podem ser citados, sem levar em consideração pessoas que idolatram imagens esculpidas. Mediante tudo isto, convém lembrar quem é o Deus que adoramos.

Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cinjo, ainda que tu não me conheças. Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro.
Isaías 45.5-6

Este é o Deus que servimos, o “Eu sou”. Além dele, não há nenhum outro. Este é o nosso Deus, que se deixa conhecer através da sua Palavra, a Bíblia. É diante deste Deus, o Único e Soberano, que nós vivemos. E você? Tem reconhecido em sua vida que Deus é o único Senhor?

Destaco também a expressão “de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força”. Temos aqui uma clara ordem de Deus para que o amemos intensamente! Temos buscado a Deus no estudo de sua Palavra, em oração, na Ceia do Senhor, em se submeter à ordenança do Batismo, em ter comunhão com os irmãos? Uma boa evidência de nosso amor por Deus é o que pensamos a respeito dele. O que você tem pensado sobre Deus? Como isto tem modificado sua vida? Aqui há um claro desafio para que meditemos constantemente em Deus, no Senhor dos Exércitos! Desta forma estaremos guardando o nosso coração (Provérbios 4.20-27).

II – A Palavra deve fazer parte do nosso viver diário (v. 6-7)

“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te”. Só seria possível cumprir a segunda parte da ordem se já tivesse cumprido a primeira. O processo do ensino envolve em primeiro lugar a experiência pessoal da Palavra pelos pais, depois a vivência dela diante dos filhos. Isto deveria acontecer no dia-a-dia, tendo a Palavra como parte integrante da vida. Isto os levaria a amar a Deus envolvendo tanto a disposição de obedecer aos seus mandamentos, quanto a disposição de comunicar tais mandamentos às gerações seguintes, de modo a preservar uma atitude de amor e obediência no povo de Deus em todas as épocas. O livro de Deuteronômio dá importância especial ao ensino da família. As exigências da aliança de Deus devem ser o assunto de conversa em todo o tempo, em casa, no caminho, no horário das refeições, durante o dia e à noite! O amor de Deus e as exigências de sua aliança devem ser o interesse central e absorvente de toda a vida do homem.

Agora, pense um pouquinho no seu dia-a-dia. Será que a Palavra de Deus tem feito parte do seu viver diário? Você tem meditado constantemente em toda a Palavra de Deus? E, olhando para o âmbito familiar, será que vocês, pais, estão cultivando o hábito de realizar o culto doméstico com seus filhos? Muitos são os motivos utilizados como justificativas para a ausência dessa prática nos lares modernos, o principal deles é a falta de tempo. Mas para muitas outras coisas bem menos importantes sempre há tempo. É preciso voltar ao passado e resgatar as ordens de Deus dadas ao povo de Israel. Se faz urgente ensinar às crianças toda a Palavra de Deus, e em todo o tempo e situação.

III – A Palavra deve ser demonstrada como exemplo vivo (v.8-9)

“Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas”. Que maravilhoso método de ensino! Os recursos visuais não são privilégio dos tempos modernos, pelo contrário, eles fazem parte dessa lição do passado. Desde aquela época e até os dias atuais, os judeus escrevem quatro trechos da Torah, os cinco primeiros livros da Bíblia, em pequenos fragmentos colocados dentro de caixinhas de couro. Uma dessas caixinhas, conhecidas como filactérios, era amarrada com tiras de couro no alto da testa, e outra no braço esquerdo, perto do coração, como sinal de que os ensinamentos de Deus controlavam os pensamentos e sentimentos da pessoa.
É necessário redescobrir essa paixão, que consumia os pais israelitas, de ensinarem seus filhos na Lei de Deus quando usavam tudo o que tinham à mão. Nós, mais do que eles, temos muitos recursos à nossa disposição. Existem livros sobre culto doméstico, cânticos e Bíblias ilustradas, manuais de doutrina adaptados para crianças, além , é claro, de revistas devocionais. Você tem feito uso desses recursos? Onde tem sido empregada a sua criatividade? Os israelitas, movidos pela paixão à Lei, tiveram criatividade em conseguir métodos para memorização e transmissão dos atos de Deus, como por exemplo as pedras retiradas do rio Jordão, por ordem de Josué, na ocasião da travessia dele para ser memorial perpétuo para todo o povo (Josué 4.20-24). Se nós também nos apaixonarmos pelas Escrituras, de igual forma com certeza também buscaremos a criatividade necessária para contagiar nossos filhos, pregando a Palavra “a tempo e fora de tempo” (2 Timóteo 4.2).

Para reforçar essa lição do passado, Ian Hamilton, pastor da Loudoun Church, na Escócia, disse: “Nós estamos falhando grandemente em ter uma adoração conjunta da família. A falha vem dos pais que não estão ensinando as Escrituras às suas crianças e, consequentemente, não estão ensinando sobre Deus e seus grandes feitos. (…) A responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus às crianças não pertence primariamente à igreja. O que ocorre é que nós, como igreja, temos de fazer isso com freqüência, em função da falha existente nos deveres dos pais. Então, uma das preocupações que os presbíteros devem ter, quando fazem visita pastoral às famílias da igreja, é enfatizar este trabalho que é tão doloroso, demorado, mas tão necessário, de encorajar os pais para que eles estejam ensinando a Palavra de Deus aos seus filhos.”

Talvez você pense que voltar às lições do passado seja algo quase impossível, fora da realidade dos tempos atuais. Mas há esperança! Você pode (e deve!) criar os seus filhos com métodos santos, baseados no único livro que pode ajudá-lo, nesta e em todas as demais áreas da sua vida. Segundo Tedd Tripp, professor no Seminário Teológico Westminster, nos Estados Unidos, “o único guia seguro é a Bíblia. Ela é a revelação de um Deus que tem um conhecimento infinito e, portanto, pode oferecer-lhe verdade absoluta. Deus lhe deu uma revelação suficiente e completa. Ela apresenta um quadro exato e compreensível a respeito de filhos, pais, vida familiar, valores, treinamento, desenvolvimento, disciplina – tudo o que você precisa para estar equipado, a fim de executar a tarefa de criar filhos. Os métodos de Deus não têm sido comprovados como inadequados; simplesmente não estão sendo experimentados. A igreja espelha os problemas de nossa cultura porque, na geração passada, não estávamos realizando biblicamente a tarefa de criar filhos. Estávamos aplicando apenas o que funcionava. Infelizmente, ainda estamos tentando fazer a mesma coisa, embora, devido a mudanças em nossa cultura, isso não mais funcione.”

É nossa responsabilidade pregar o Evangelho para nossas crianças! O Senhor Deus, que é fiel, nos dará os resultados!

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